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terça-feira, 19 de setembro de 2017

POR QUE TOCAR NUMA GUITARRA MANOUCHE?

Grerta Weiss & Tchavolo Schimtt

    Tenho recebido alguns emails me perguntando se é possível tocar gypsy jazz num violão folk? numa guitarra? num violão com cordas de nylon?
 A resposta é obviamente sim... você pode tocar onde você quiser, afinal a música é livre mas, você deve ter em mente que o som que você vai reproduzir por melhor que você seja 'foge' da essência do gypsy jazz e pode ser como tocar samba com ukelele ao invés do cavaco ou bandolim, usar um violão folk pra tocar flamenco, guitarra flying para tocar jazz tradicional.
Apesar de existirem modelos mais atuais com cordas de  nylon e alguns músicos de qualidade indiscutível que se aventuram por esses caminhos de maneira muito interessante o timbre não convence e destoa a estética do timbre característico do estilo. Bem ou mal tocado não soa como o verdadeiro jazz manouche.

As guitarras manouches desenvolvidas a partir do modelo desenvolvido por Selmer Maccaferri  tem suas caraterísticas de timbres devido ao comprimento da escala maior que nos violões folk ou nylon, tail piece onde são presa as cordas e formato de boca (oval, D hole, Bean , F hole  e outras variações).

O comprimento da escala aliado a postura da mão direita faz uma grande diferença fisicamente para adaptação para novos aspirantes do jazz manouche e deve ser motivo de atenção na hora de tocar, tanto no quesito técnica x volume como também com prevenção para lesões nos tendões, bem conhecidos pelos guitarristas que tocam em alta velocidade em instrumentos com cordas 'pesadas' que prefiro chamar de 'firmes'.

Apesar do mercado de guitarras manouche ser bem limitado no Brasil sempre 'aparece' alguma por ai...nas redes sociais e mercado abertos disponíveis. O preço de um instrumento para nível estudante (made in asia) varia em torno de R$1500 a R$4000, instrumentos europeus ou americanos o preço começa em  U$2.000.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

3 MITOS X VERDADES - GYPSY JAZZ (Part 1)

O Jazz Manouche/Gypsy Jazz é cercado de mitos e lendas, creio que pela própria raiz peculiar e excêntrica dos ciganos tanto como pela democratização da internet em talvez disseminar informações sem atestados de veracidade. As conclusões abaixo foram vividas e atestadas em convívio e experiências próprias e aprendizado com outros músicos.

A seguir a primeira parte de: 3 MITOS X VERDADE DO GYPSY JAZZ


1 - Violão boca D é pra tocar base?


Na década de 30 quando o Hot Club of France surgiu com os dois violonistas base (Joseph Reinhadt e Roger Chaput tocando o D hole fazendo base para Django (que preferencialmente usava o modelo oval hole) criou se o mito que os violões com boca D eram feitos para base, os violões usados pela dupla rítmica do HCF soavam 'gordos e pesados'(e precisavam pelo fato de não tocarem com amplificação) e botavam pressão no ritmo "La Pompe", um dos fatores principais do violão soar mais gordo e pesado não eram o formato da boca e sim a escala do violão, o modelo original D hole tinha 12 casas, que faz as cordas ficarem menos tensionadas e produzirem um som mais 'gordo' ainda mais tocando juntamente com outro violão.

O modelo D hole tem o som menos anasalado que o Oval hole , os dois modelos são usados pra 'base' e 'solo', apesar de não ser uma regra, creio que um fator considerável diferença é o comprimento da escala: 650 (12 fret), 670 (14 fret) entre outras medidas. (vide review Oval Hole ou D hole?) 
O modelo oval hole tem a preferências da maioria dos guitarristas ciganos, mas grandes guitarristas como Angelo Debarre, Bireli Lagrene, Lolo Meier e até mesmo Django tocou o modelo D em gravações, concertos e jams.

Resultado: MITO!



2 - Precisa usar palheta grossa 


Quem se aventura a estudar o jazz manouche logo encontra um 'universo' próprio do estilo tanto em termos de diversos artistas e bandas, luthiers, instrumentos e inúmeros acessórios no qual estão inclusos uma infinidade de modelos e fabricantes das mais variados modelos de palhetas com materiais e espessuras diversas.

Django tinha preferência por palhetas grossas feitas de casco de tartaruga ou marfim de elefantes, uma de suas palhetas mais parecia uma pedra com os lados todos irregulares, porém essa é apenas uma das muitas palhetas usados por Django Reinhardt.


Muitos guitarristas e fabricantes continuam essa tradição da 'palheta grossa', a cada dia aparece a 'melhor palheta' e os testes em busca do santo timbre continuam...

Por outro lado guitarristas do alto escalão e de sonoridade inquestionável como: Bireli Lagrene, Antoine Boyer, Adrien Moignard, Gonzalo Bergara, entre outros usam palhetas 'comuns' e 'finas' encontradas em qualquer loja de música.

O que pra alguns pode parecer um simples detalhe mas perder uma palheta que está acostumado a tocar numa situação de responsabilidade de execução musical pode ser um terrível pesadelo, ainda mais se for uma dessas palhetas raras... vindas das montanhas da patagônia, feitas com ossos de mamute da zâmbia e lavadas com lagrimas da virgem princesa aborígene.

Resultado: MITO!


3 - Cordas aço bronze NÃO servem para guitarras manouche


As cordas tradicionais usadas nas guitarras ciganas são revestidas com fios de seda ou cobre banhado com prata que faz o timbre transitar entre o aço e nylon, com mais brilho que o nylon e menos que os encordoamentos de aço.

Os encordoamentos 'bronze' ou revestidos tipo 'coated' de alta duração tem a característica de extra brilho no som, pode ter um maior volume em relação a encordoamentos prateados mas a essência do timbre não tem nada a ver com jazz manouche/gypsy jazz impera um 'áspero excesso de brilho' quando usado nas guitarras gypsy manouche.
Dica: Se não tiver cordas próprias pra jazz manouche escolha qualquer encordoamento prateado ao invés do bronze.

Resultado: VERDADE!



       Em resumo creio que o que vale mesmo a arte o prazer e a diversão de fazer e escutar música, não importa onde tocado, marcas, modelos e etc se estiver tocada corretamente e tocar o coração...tá valendo mas um estilo seja na tradição musical ou cultural se torna um 'estilo' pela soma de 'detalhes' e 'peculiaridades' que estão relacionadas a eles, você escolhe os 'detalhes' que que carregar no teu som!



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Boca oval (oval hole) ou Boca D (D hole)?



Quando as pessoas veem o violão manouche um dos primeiros impactos é a "boca" do violão, seja o boca oval ou o boca em D, e frequentemente me perguntam: "Qual a diferença?", "qual tem o maior volume?", "um é pra base e o outro pra solo?


Independente do tipo de violão o comprimento da escala é um dos grandes responsáveis pelos timbre, os violões manouche tem o comprimento de escala que variam entre 630mm e 680mm.

Os primeiros modelos "boca D" tinham 12 casas e como eram usados pelos guitarristas rítmicos criou se uma mito/associação do modelo ao violão base.


Mas atualmente a maioria dos modelos com boca D tem 14 casas, e escala 670mm, uma diferença é que este modelo os som se projeta melhor pra quem esta tocando o instrumento(há excessões).

Os modelos com boca Oval tem mais punch e são mais fechado, ou "seca" no som, o som é mais direcional para que o público vai ouvir-los...e novamente, há exceções. Geralmente os que escala de comprimento 14 casas (670mm) terá melhor projeção e definição de notas para solar e tendem a ter as frequências graves menos ressaltadas, violões escala curta 12 casas (640mm) o som será mais encorpado


Considerações: "Gosto é gosto e cada um tem o seu", "o som esta no músico e não no instrumento"..."depende do instrumento, madeiras e etc) e outros lúcidos pensamentos.. mas resumindo:


- violões com escala longa 670mm "é a mais comum", tem o timbre mais medio-agudo e aberto que instrumentos com escala mais curta e pela sua frequência se "destaca" mais para função melodica.Por sua vez instrumentos com escala curta (640mm-650mm) tem um grave mais encorpado e "macio" que pode favorecer os guitarristas rítmicos.


Eu com "boca D - 14 casas e Plessier com um Patenotte "Bean hole"


Existem variações dos modelos boca "O" ou "D" como o "bean hole" (boca de feijão), "f hole"(2 aberturas em "f" similiar ao violino e "heart hole (luthier di mauro), além de variações do tamanho de todos os tipos citados.











Guia com algumas medidas de escala referências

Tchavolo e Plessier ("f hole" - Di Mauro)


Selmer - 14 casas - 670mm

12 casas - 640mm


Busato - 14 casas - 670mm ou 675mm

12 casas - 640mm


Favino - 14 casas - 675mm

12 casas - 666mm


Patenotte - 14 casas - 645mm

12 casas - 635mm


Di Mauro - 14 casas - 650mm - 660mm


Gitane -14 casas - 680mm

12 casas - 650mm


Existem variações fabricados pelos mesmos luthiers.






Dúvida ou sugestões: mauroalbert@gmail.com



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Características de uma "Guitarra Manouche"- review

Com timbre peculiar e beleza intrigante o "violão manouche" ou "guitarra manouche" é facilmente reconhecido visualmente e sonoramente, a historias destes modelos começou com Mario Maccaferri e Henri Selmer, e a fabricação iniciou se na década de 30. Após a consagração do modelo "Selmer" usado por Django surgiram outros luthiers como: Di Mauro, Busato, Favino, entre outros. As cordas são de aço, apesar de existir algumas versões fundindo o violão manouche ao violão clássico com cordas de nylon

Características de uma "guitarra manouche"

BOCA
A primeira vista o que se distinguem de violões tradicionais é a "boca" do violão, com 2 versões mais populares como o boca pequena (oval hole /petit bouche) e o boca em "D" (D hole/grand bouche).Existem alguns outros modelos de boca, como "f"hole, o bean hole (boca de feijão) e outras variações.
Django usou diversos modelos de guitarras manouche, porem é o modelo oval hole foi seu preferido e é diretamente associado a figura de Reinhardt.
         "Oval hole" - "D hole"                                           Django e seu violão Selmer com boca oval

CAVALETE/TAILPIECE
Uma das diferenças mais representativas que interfere na sonoridade do instrumento é o "tailpiece" um cordal onde as cordas são presas, o cavalete é de madeira e fica "solto" no instrumento (a pressão das cordas o mantem no lugar). O sistema lembra o cavalete do bandolim, violino... e é essencial para o "timbre manouche". Os "bigodes" o lado do cavalete são feitos da mesma da madeira do cavalete são fixos e auxiliam na marcação das oitavas do instrumento.


ESCALA
Os violões manouche tem a escala um pouco maior que nos violões tradicionais, um violão folk por exemplo tem a medida padrão de 650mm(instrumentos de 14 casas), já no violão manouche a medida padrão mais usada é de 670mm (14 casas) e 640mm (12 casas), exitem varições com 680mm, 660mm e outras. A medida da escala influência diretamente na tensão da corda e obviamente no timbre. 


DISTANCIAMENTO DAS CORDAS - CORPO DO INSTRUMENTO
Uma das características do violão manouche que realmente faz diferença a um violão tradicional é distância em relação as cordas do instrumento, que se assemelha mais a uma guitarra semi-acustica/acústica. Esse distanciamento esta ligado ao angulo do qual o braço do violão foi projetado. Instrumentos europeus e de maior valor geralmente possuem um maior espaçamento, é um método de construção mais minucioso, feito a mão, com angulação do braço maior em relação ao corpo. Instrumentos chineses por terem sua construção em série feitas com ajuda de maquinas, geralmente tem a angulação menor e o braço paralelo ao corpo do instrumento.



Considerações
Acredito que o verdadeiro som vem do "músico" e não de um instrumento ou equipamento...o que realmente faz a diferença é a concepção, sensibilidade e pegada de quem toca. O som esta no músico e não no instrumento... obviamente tocar num instrumento adequado ao estilo, de qualidade e etc etc ... faz a diferença...mas não a falta não impede de executar a música que você faz!




DICA - PALHETADA GYPSY