sexta-feira, 25 de agosto de 2017

3 MITOS X VERDADES - GYPSY JAZZ (Part 1)

O Jazz Manouche/Gypsy Jazz é cercado de mitos e lendas, creio que pela própria raiz peculiar e excêntrica dos ciganos tanto como pela democratização da internet em talvez disseminar informações sem atestados de veracidade. As conclusões abaixo foram vividas e atestadas em convívio e experiências próprias e aprendizado com outros músicos.

A seguir a primeira parte de: 3 MITOS X VERDADE DO GYPSY JAZZ


1 - Violão boca D é pra tocar base?


Na década de 30 quando o Hot Club of France surgiu com os dois violonistas base (Joseph Reinhadt e Roger Chaput tocando o D hole fazendo base para Django (que preferencialmente usava o modelo oval hole) criou se o mito que os violões com boca D eram feitos para base, os violões usados pela dupla rítmica do HCF soavam 'gordos e pesados'(e precisavam pelo fato de não tocarem com amplificação) e botavam pressão no ritmo "La Pompe", um dos fatores principais do violão soar mais gordo e pesado não eram o formato da boca e sim a escala do violão, o modelo original D hole tinha 12 casas, que faz as cordas ficarem menos tensionadas e produzirem um som mais 'gordo' ainda mais tocando juntamente com outro violão.

O modelo D hole tem o som menos anasalado que o Oval hole , os dois modelos são usados pra 'base' e 'solo', apesar de não ser uma regra, creio que um fator considerável diferença é o comprimento da escala: 650 (12 fret), 670 (14 fret) entre outras medidas. (vide review Oval Hole ou D hole?) 
O modelo oval hole tem a preferências da maioria dos guitarristas ciganos, mas grandes guitarristas como Angelo Debarre, Bireli Lagrene, Lolo Meier e até mesmo Django tocou o modelo D em gravações, concertos e jams.

Resultado: MITO!



2 - Precisa usar palheta grossa 


Quem se aventura a estudar o jazz manouche logo encontra um 'universo' próprio do estilo tanto em termos de diversos artistas e bandas, luthiers, instrumentos e inúmeros acessórios no qual estão inclusos uma infinidade de modelos e fabricantes das mais variados modelos de palhetas com materiais e espessuras diversas.

Django tinha preferência por palhetas grossas feitas de casco de tartaruga ou marfim de elefantes, uma de suas palhetas mais parecia uma pedra com os lados todos irregulares, porém essa é apenas uma das muitas palhetas usados por Django Reinhardt.


Muitos guitarristas e fabricantes continuam essa tradição da 'palheta grossa', a cada dia aparece a 'melhor palheta' e os testes em busca do santo timbre continuam...

Por outro lado guitarristas do alto escalão e de sonoridade inquestionável como: Bireli Lagrene, Antoine Boyer, Adrien Moignard, Gonzalo Bergara, entre outros usam palhetas 'comuns' e 'finas' encontradas em qualquer loja de música.

O que pra alguns pode parecer um simples detalhe mas perder uma palheta que está acostumado a tocar numa situação de responsabilidade de execução musical pode ser um terrível pesadelo, ainda mais se for uma dessas palhetas raras... vindas das montanhas da patagônia, feitas com ossos de mamute da zâmbia e lavadas com lagrimas da virgem princesa aborígene.

Resultado: MITO!


3 - Cordas aço bronze NÃO servem para guitarras manouche


As cordas tradicionais usadas nas guitarras ciganas são revestidas com fios de seda ou cobre banhado com prata que faz o timbre transitar entre o aço e nylon, com mais brilho que o nylon e menos que os encordoamentos de aço.

Os encordoamentos 'bronze' ou revestidos tipo 'coated' de alta duração tem a característica de extra brilho no som, pode ter um maior volume em relação a encordoamentos prateados mas a essência do timbre não tem nada a ver com jazz manouche/gypsy jazz impera um 'áspero excesso de brilho' quando usado nas guitarras gypsy manouche.
Dica: Se não tiver cordas próprias pra jazz manouche escolha qualquer encordoamento prateado ao invés do bronze.

Resultado: VERDADE!



       Em resumo creio que o que vale mesmo a arte o prazer e a diversão de fazer e escutar música, não importa onde tocado, marcas, modelos e etc se estiver tocada corretamente e tocar o coração...tá valendo mas um estilo seja na tradição musical ou cultural se torna um 'estilo' pela soma de 'detalhes' e 'peculiaridades' que estão relacionadas a eles, você escolhe os 'detalhes' que que carregar no teu som!



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