sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Raphael Fays - Entrevista

Em mais de quarenta anos de carreira, Raphael Fays, nascido em Paris em 1959, é um dos guitarristas mais respeitados da cena do jazz cigano, influenciou toda uma geração com seu estilo original, melodioso e virtuoso. Em 1987 após conhecer Paco de Lucia, (re)encontrou se na sonoridade do flamenco e afirma "Flamenco é uma música que vivi e que sinto dentro de mim. É uma maneira de tocar ...mesmo quando eu toco jazz, Quando eu entro no palco, sou como um toureiro quando entra na arena".
Embora sua apurada técnica promova o rápido aprendizado da música flamenca, Raphael tem uma técnica própria de tocar flamenco com palheta e dedos. Compôs diversas obras de inspiração flamenca com uma interpretação extraordinária e original, ampliando e oferecendo uma nova perspetiva desse estilo musical.




E N T R E V I S T A com R A P H E L  F A Y S


* Entrevista exclusiva para o blog Guitarra Manouche




Com quantos anos começou a tocar?

R.F -  Comecei aprender aos 11 anos de idade com meu pai Louis Fays que era um excelente guitarrista.

Quais são suas influências?

R.F - Django Reinhardt, Segóvia, Ida Presti, Alexandre Lagoya e Paco de Lucia.

Qual guitarra e cordas da sua preferência?

R.F - Hoje em dia prefiro as cordas de nylon que são mais apropriadas para o flamenco, no palco são melhores.Gravei seis cds tocando flamenco e música clássica, esse ano lancei um novo álbum chamado wood guitar "Paris Sevilha" esse cd é meio jazz e meio flamenco. em homenagem ao jazz manouche e jazz cigano da Espanha. 


Quais seus projetos futuros?

R.F - Meus projetos atuais são o novo show Paris Sevilha, o jazz parisiense com música flamenca, muito interessante, Tocaremos num importante casa de Paris o "Alambra". E vou continuar a compor no estilo de flamenco, um flamenco, original, a meu modo e bem meu estilo.

Como é a cena musical de gypsy jazz na sua cidade?

R.F - As vezes sim há concertos, pessoas que fazem grupos de swing, muitas vezes um pouco amador, mas é moda, todos querem tocar jazz manouche.

Qual mensagem pode deixar para os guitarristas que estão iniciando no estilo?

R.F - Em primeiro lugar: "Jazz Manouche" não é americano, é francês, na história do jazz Django Reinhardt é o único que compor uma música diferente do que nos EUA. Duke Ellington admirava seu estilo de tocar, Django era cigano e conhecia a musica raiz manouche. Quando Django toca, ele nos faz sentir bem. Na minha opinião tocar jazz é tocar outra coisa, outro pensamento, a minha cultura e o que meu pai Louis me ensinou é tocar automaticamente no estilo do Django e minha maneira de pensar essa música também.
Mas, no dia dos hoje muitos jovens guitarristas tocam essa música bebop demais, ou então ele toca frases como George Benson, numa guitarra de manouche !!!! Eu acho que muitos estão muito longe do estilo e especialmente da reflexão no refrão, todo mundo toca assim, ou muitos deles tentam se parecer com um conhecido guitarrista, enfim é sempre a mesma história, a mesma frase, a maioria tem muito bom desempenho, mas a música de Django é uma maneira de pensar, é uma escola que é diferente do que a história da guitarra jazz nos Estados Unidos.

Quando eu dou uma master class para os jovens cheios de técnica, eu lhes digo logo de cara, "Vocês tocam bem, mas isso não é o estilo de Django", alguns não entendem o ponto de vista. "Escute jazz manouche mas não "os caras", é Django que você deve ouvir, porque todos vocês tocam muito pensando muito em teoria musical", não é esse o caminho, se nós fizemos a mesma coisa com a musica de Baden Powell um grande mestre também não seria mais a musica brasileira.



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