quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Gypsy Jazz Club - Entrevista


Surgido em Brasília no ano de 2013 o Gypsy Jazz Club se caracteriza por mesclar o jazz manouche com a música brasileira, o bandolim e o cavaquinho representam uma novidade no gênero, por serem instrumentos não tradicionalmente utilizados no jazz manouche. O grupo acaba de lançar o álbum autoral Menestrel, que traz conceitos inovadores e inéditos e mostra como o grupo amadureceu seu trabalho ao longo dos anos. O responsável pela guitarra manouche no grupo Eduardo Souza foi  o porta voz do grupo nessa entrevista.




E N T R E V I S T A  com  G Y P S Y  J A Z Z  C L U B 

* Entrevista exclusiva para o blog Guitarra Manouche




Como surgiu o Gypsy Jazz Club? 


E.S - O Gypsy Jazz Club surgiu em 2013, algum tempo após eu conhecer o violinista norte americano Ted Falcon, que morou em Brasília por alguns anos. No dia em que eu o conheci fizemos um som. Eu o estava acompanhando num choro, acho que Cochichando do Pixinguinha e quando ele estava improvisando, passei a fazer uma espécie de la pompe no acompanhamento. O Ted achou que eu conhecia o estilo. Eu ouvia jazz manouche desde adolescente e gostava de brincar com a pompe, mesmo conhecendo muito pouco e não sabendo absolutamente nada sobre a técnica manouche. Alguns dias depois o Ted me chamou para fazermos uma apresentação de jazz manouche e eu disse a ele que não daria pois não tocava o estilo de verdade. Depois de alguma insistência dele finalmente montamos um trio, ensaiamos algumas músicas e começamos a tocar. O Ted já conhecia muitas músicas do gênero pois tocava desde muito novo com seu pai, que era fã do Django Reinhardt. Fizemos muitas apresentações em duo também, já ampliando o repertório. Mais pra frente entrou o Igor Diniz no baixo e um ano depois o Pedro Vasconcellos no cavaco. Com a volta do Ted em definitivo para os Estados Unidos em 2016, chamamos o Victor Angeleas, bandolim e violão tenor, para ocupar o posto de solista e esta é a formação atual do grupo.


Qual são as influências em comum no grupo? 

E.S - A principal são os mestres da música brasileira, é o que nós todos temos em comum como influência, especialmente o choro. Somos todos brasilienses e o choro é um estilo muito presente na cidade, o que moldou a forma de tocar de cada um de nós.


Qual é o critério para escolha do repertório? 

E.S - O critério para escolha do repertório é a qualidade das músicas, a adequação à nossa formação, que não é uma formação instrumental típica de um conjunto de jazz manouche tradicional, pois nosso solista toca bandolim e violão tenor e temos um cavaquinista no grupo também. Nosso último disco é 100% autoral, só há uma música que não é nossa, chamada "um choro manouche" que é de um amigo, o bandolinista Tiago Tunes.


Qual a visão sobre a cena do jazz manouche no Brasil?
E.S - A cena vem crescendo e tem muita coisa boa rolando. Há trabalhos de alta qualidade como o seu (Mauro Albert), o do Bina Coquet, Marcelo Cigano, Quinteto Jazz Cigano, Hot Club de Piracicaba, dentre outros. Seu trabalho didático também é importantíssimo, fundamental mesmo para consolidar o gênero no país.
Recentemente recebemos o convite do José Fernando Seifarth para participar do Festival de Jazz Manouche de Piracicaba, de forma que no fim do ano vai ser um grande prazer tocar com os demais representantes do estilo e conhecer mais de perto as principais figuras da cena. Obrigado José Fernando!


Quais os planos futuros do grupo?
E.S - Planejamos aperfeiçoar cada vez mais nossa maneira de tocar que está muito ligada à música brasileira. Se possível, queremos atingir um número maior de pessoas com nossa música, tocar em outras cidades e festivais.




Um comentário:

  1. Vai ser um prazer estar com Gypsy Jazz Club no Festival de Piracicaba! Parabéns a Mauro pir mais esta entrevista

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